Para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações.
Veio manso, abraçou, preparou chá, limpou o que sangrava, fez curativo no que o tempo não havia conseguido fechar. Estendeu a mão, contou sua história, entregou toda a doçura que ainda existia no que também lhe doía. Ambos machucados, vendo esperança no que o outro perdera… Tentando nos convencer de que a partir daquele nada poderíamos ter algo novamente. Foi ali que achei que nós nos entenderíamos. Estive disposta a construir um mundo todo do zero, caso nada no meu mundo pudesse ser salvo. Estive disposta a me reconstruir de diversas formas, caso alguma pudesse dar certo pra nós. Quis dar muito de mim, você sorriu e eu quis te entregar quase tudo. Tentei descobrir quem você era. Quem é. Pensei se me enganei ou se me enganou. Já não sei mais o que você disse, nem o que eu quis escutar. Já não sei o que esqueço e o que quero lembrar. Quis protegê-lo e sabia que poderia fazê-lo mesmo quando não conseguia proteger sequer a mim mesma. Fui acometida por uma catalepsia quase moral, ficar imóvel era uma dívida que eu precisava pagar à mim mesma. Precisava parar de escutar teu nome subindo as escadas, tocando no meu celular. Uma hora a gente se encontra e vai ser tudo igual e tudo completamente diferente. Depois se perde de novo, porque é provável que não sejamos mesmo um par. Vive. Contabilizei se você mais curou do que abriu feridas, tive medo de saber o resultado.
perde-se em algum lugar do espaço o que de mais puro eu havia guardado. contorce-se violentamente até não caber mais em si, quebra. e eu sou assim mesmo, não lembro de ter prometido mudar. dói saber que hoje você só faz mal, gratuita e propositalmente. causa-me náuseas intermináveis, agride-me com as maiores pedras que por ventura cruzarem o teu caminho. arranha-me a pele, machuca-me a alma. escolhe então as mais duras palavras e as arremessa contra mim, enquanto destrói qualquer resquício de sentimento que tenha esquecido-se de morrer. artilharia pesada, pelo simples prazer em travar batalha. vai, caminha pra bem longe daqui. dê o maior número de passos que puder sem olhar pra trás. leva contigo toda a verdade, a mesma que você deixou escorrer por entre os teus dedos sujos de uma culpa velada. nem o peso da injustiça será capaz de me parar, de me cansar, de me questionar quanto aos meus próprios valores. nem o gosto da maquinada impunidade irá amargar os mais ensolarados dias. não guardo mágoa, não sinto rancor. não sinto mais nada. não esquece de fechar a porta.